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poema começado do fim


.cazuza.

Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açucar, dança sem par

Escrito por M. às 16h16
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luiz.de.aquino

SAUDADE CERTIFICADA

Saudade do teu cheiro. Saudade
do tremor discreto de tuas mãos
porque te beijei sem avisar.

Saudade de beijar teus pés;
e dos teus dedos
a escrever carícias nos meus cabelos.

O tempo e o longe dão-me plena
esta intolerável certeza: a saudade
é certificado incontestável da tua ausência

Escrito por M. às 11h58
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alice.ruiz


já não temo fantasmas
invoco a todos
que venham em bando
povoar meus dias
atormentar minhas noites

entre tantos
loucos e livres
existe um
que é doce
e que me falta

Escrito por M. às 10h48
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Clarice

Esse é o mais verdadeiro do mundo.


"Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir. "

Clarice Lispector

Escrito por M. às 08h57
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do.amor

Do amor

Adélia Prado

Assim que se é posto à prova,
na cinza do óbvio, quando
atrás de um caminhão vazando
o homem que pediu sua mão informa:
"está transportando líquido".

Podes virar santa se, em silêncio,
Pões de modo gentil a mão no joelho dele
Ou a rainha do inferno se invectivas:
"Claro, se está pingando,
Querias que transportasse o quê?"

Amar é sofrimento de decantação,
Produz ouro em pepitas,
Elixires de longa vida,
Nasce de seu acre
A árvore da juventude perpétua.

É como cuidar de um jardim,
quase imoral deleitar-se
com cheiro forte do esterco,
um cheiro ruim meio bom,
como disse o menino
quanto a porquinhos no chiqueiro.

É mais que violento o amor.


Escrito por M. às 19h03
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poema.começado.do.fim

Poema Começado do Fim

Adélia Prado


Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.

Escrito por M. às 06h43
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